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Curiosidade

Nós dependemos do nosso sentido da visão provavelmente mais do que de qualquer dos outros sentidos - audição, tato, paladar e olfato. Nosso olhos são capazes de captar uma enorme quantidade de informações e uma grande parte do cérebro é necessária para processá-las e colocá-las em uso.

Reflita

sexta-feira, agosto 05, 2011
Sentada num desnível do barranco, a aposentada Aparecida Ribeiro dos Santos, de 66 anos, vigia as águas amareladas que vão marcando as paredes brancas de sua casa. À medida que o nível sobe, ela conta os prejuízos e vai ficando mais aflita. "Já pegou a geladeira, o guarda-roupa e agora está molhando o colchão. Logo o meu bujão vai boiar, pois está quase vazio." Dona Cida está entre os 15 mil moradores do Vale do Ribeira, região sul do Estado de São Paulo, atingidos pela enchente que, desde segunda-feira, mantém fora do leito o rio Ribeira de Iguape.
Em Registro, onde mora, a cheia se avolumou de madrugada e, até a tarde de ontem, tinha coberto parte da cidade e atingido 1.200 moradores, segundo a Defesa Civil. Na sua moradia, um casebre construído abaixo do nível da rua, na Vila São Francisco, ela não sabe a que horas a água entrou. Conta que foi acordada às 5 pelo filho aos gritos: "Mãe, estamos no meio da água." Ela correu acudir a própria mãe, Brígida, de 94 anos, que é cega. Levada para um cômodo mais alto, a idosa teve de esperar a chegada de outra filha.
O rio Ribeira invadiu ruas, terrenos baldios, praças e casas por toda a periferia de Registro, a 192 km da capital. Os bairros Valery, Vila Nova, São Francisco, Nosso Teto e Aly Correa foram os mais atingidos, mas as águas foram até o centro. A dona de casa Vitória Camila da Rocha, de 66 anos, estava fora e foi avisada pelos filhos de que a casa tinha sido alagada. "Encontrei móveis, roupas, geladeira, tudo do lado de fora."
Os vizinhos e parentes ajudaram as famílias a salvar roupas, eletrodomésticos e móveis. O pipoqueiro Joel da Rocha, de 35 anos, não teve a mesma sorte. "A água subiu muito rápido e não pude tirar nada." Não deu para salvar nem o carrinho de pipoca. Ele mora ali há seis anos e é a primeira vez que a água atinge a cama. Rocha tirava fotos dos estragos: ele se inscreveu num programa de casas para famílias em áreas de risco e ainda não foi contemplado.
Na Vila Nova, o pescador Lino de Souza Lima, de 48 anos, construiu um cômodo sobre a laje apenas para ocasiões como a de hoje. "Quando a água cobriu o quintal, levei tudo para cima." Acostumado às enchentes - uma a cada dois ou três anos - ele mantém o barco de pesca na garagem para as emergências. Lima só não esperava que o rio fosse subir tanto. Às 4 da manhã, pegou o barco e foi para a casa de um filho.
O pescador usou a embarcação para resgatar moradores que ficaram ilhados. Uma das resgatadas, Tereza Xavier, foi transportada para terra firme com o bebê de dois meses no colo. Ela resistia em sair de casa, temendo os saques.
Nos bairros atingidos, adultos e crianças se concentravam na borda da cheia. Muitas pessoas preferiam ficar vigiando a casa a ir para os abrigos da prefeitura. "Se a gente sai, alguém pode invadir", disse Beatriz Bessa Perciliano, de 26 anos.

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